Simone Silvério Fotografia | Meu ensaio nos campos floridos

Meu ensaio nos campos floridos

July 18, 2018  •  3 Comments

A importância da empatia e de experimentar o outro lado da câmera

Gente, hoje eu gostaria de falar com vocês sobre um sentimento que tem me feito refletir muito ultimamente: o da empatia. A capacidade que temos de nos colocar no lugar de outra pessoa, buscando agir ou pensar da forma como ela pensaria ou agiria nas mesmas circunstâncias. Coisa tão importante em todas relações, não é mesmo? Cada vez que a gente se coloca no lugar do outro, imagina como ele se sente, a gente repensa nossas ações, o modo como falamos e até a ideia que temos sobre aquela pessoa. Um gesto capaz de fazer muito pelo outro e por nós mesmos, que crescemos com esse aprendizado.

Acho que na vida, na nossa família, com nossos amigos, com nosso parceiro, com nossos clientes, também devemos desenvolver essa capacidade de empatia. E, nesta viagem que fizemos recentemente ao Sul da França, eu resolvi fazer mais uma experiência que me levasse a esta sensação de me colocar no lugar do outro. Combinamos que o Jaiel, meu marido, que como vocês sabem também é fotógrafo, fizesse um ensaio nos campos de lavanda, me tendo como sua modelo.
Isso mesmo! Vivi uma sessão fotográfica na pele de uma cliente. Reservamos o último dia da nossa viagem para esta experiência. Estava tudo programado: horário, o local, levei vários vestidos diferentes, chapéus. Realmente me dei ao luxo de abusar deste momento diva, rs. E, sabe? Achei super importante ser fotografada, passar por esta experiência para entender como se sentem as pessoas que eu fotografo, como é estar na frente das câmeras. Um exercício que recomendo a todo fotógrafo.

O psicólogo norte americano Carl Rogers, que desenvolveu a abordagem centrada na pessoa, diz que "ser empático é ver o mundo com os olhos do outro e não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele". Acho que essa frase fala muito desse sentimento e me toca especialmente na minha missão de ser uma fotógrafa cada vez mais empática com as pessoas que me escolhem para fotografá-las. Porque nesse momento existe mesmo uma troca do nosso olhar com o olhar do outro, um diálogo, uma relação de confiança, de proximidade, uma exposição de si mesmo. Quantas vezes enxergamos na pessoa algo que ela não via há algum tempo, que estava adormecido? Muitas vezes, precisamos lançar sobre nós uma olhar mais generoso, enxergar nossa beleza, quem somos de verdade e o fotógrafo que se oferece para ver através do olhar do outro consegue captar essa essência, essa mensagem que o outro diz, muitas vezes sem falar uma palavra. 

Tem dois aspectos de você se propor a  fazer um ensaio pessoal, de beleza como esse. Primeiro tem uma  coisa que mexe muito com a nossa auto estima, que é muito legal se permitir ser vista por outros olhos. Tudo bem, eu sabia o que o Jaiel tava fazendo, como ia ser o resultado da luz no meu cabelo, tinha ideia de como seria a foto, mas não tinha a menor noção de como eu iria ficar na foto. 

O segundo aspecto é que num lugar aberto, público, a gente fica fazendo poses, caras e bocas e fica se sentido insegura. As pessoas passam e você pensa: "ai, meu Deus, estou aqui toda me achando, fazendo pose de diva"... Vem o medo de fazer papel de ridícula, mas aí o fotografo te elogia, te incentiva te dá a confiança que você precisa. O Jaiel fazia isso de vez em quando, ele me fazia saber que tava ficando bacana o resultado. Ele faz uma foto, olha na câmera e fala : "uau! Tá lindo! Tá incrível! E ai você vai acreditando nele, você vai achando que você tá fazendo bacana, q você tá fazendo bonito.

Foi uma experiência muito gostosa, foi muito bom pra minha auto estima. Eu sempre sou muito crítica comigo mesma, muito exigente. Sempre acho que tô gorda, com rugas,  com celulite, com isso, com aquilo... Nunca acho que tô bem pra fazer um ensaio. Aí eu fiz esse e o fato é que eu gostei muito mesmo do resultado. Eu olho as fotos e falo:  que lindo! Tudo bem que foi num lugar incrível mas, independente disso, eu gostei de mim naquelas fotos e isso tá me fazendo muito bem. Foi muito bom pra mim. 

Mas a gente começa inibida e aí, conforme o ensaio vai rolando, a gente vai se soltando, se libertando, fazendo os movimentos, tudo vai ficando mais natural, mais gostoso. Às vezes, até o ensaio caminha na direção do sensual. A gente fica com vontade de abrir mais, de mostrar mais um pouco mais, de insinuar. No estúdio não chamamos de ensaio sensual. É o ensaio pessoal e se a sensualidade faz parte dessa pessoa, vai aparecer no ensaio também e o gostoso da dinâmica do ensaio é que ele vai escalando naturalmente de acordo com o ritmo que a pessoa vai ficando à vontade. 

Pra mim, foi muito legal porque eu pude vivenciar isso e cheguei ao final, mesmo lá nos campos de lavanda, fazendo uma coisa mais sensual e adorei o resultado. Tô super feliz de ter feito, acho que a gente tem que fazer isso sempre e vou fazer mais vezes, inclusive. Recomendo a todos vocês. Espero que gostem tanto quanto eu.

Um abraço,
Simone Silvério.


Comments

Mara Laimgruber(non-registered)
Ensaio belíssimo! Parabéns a modelo e ao fotógrafo!
Janaina Barros(non-registered)
Ficou incrível!! Lindas fotos!
RAQUEL CAPARRÓS(non-registered)
Maravilhosas as fotos, a modelo e o fotógrafo.
Parabéns!!!
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