Simone Silvério Fotografia | Dia dos Avós

Dia dos Avós

July 26, 2018  •  Leave a Comment

Gente, esta semana o blog está sendo publicado na quinta-feira, quando estou comemorando meu primeiro Dia dos Avós. Quero dividir com vocês esse presente na minha vida, porque, como diz o poema "A Arte de Ser Avó", de Rachel de Queiroz, "netos são como heranças: você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu. É, como dizem os ingleses, um ato de Deus". É exatamente assim, como me sinto: recebendo um lindo presente dos céus e estou muito grata por isso.


As avós dos meus filhos têm uma importância muito grande na minha vida: tive uma sogra que eu amava e faleceu, tenho a minha sogra que amo (mãe do Jaiel) e a minha própria mãe e vivi muito de perto esse relacionamento delas e também dos respectivos avôs com meus filhos. Mas o papel de avó é uma coisa completamente inédita na minha vida. É tanto sentimento misturado: ansiedade, amor, ternura, expectativa, gratidão... e  uma imensa vontade de ser uma pessoa especial para Betina, minha netinha, numa jornada muito diferente de ser mãe. Não tem a urgência das tarefas de criar e educar mas tem um espaço reservado para a cumplicidade, para a compreensão, para o colo, para o afago, para a ternura.

Sei que é uma frase "meio lugar comum", que todo mudo fala mas para mim significou muito. Quando nasceu Gustavo, meu primeiro filho, junto nasceu a Simone mãe. Foi ali que aprendi a ser mãe. Agora é mais ou menos isso outra vez. Junto com a Betina nasce uma avó em mim, que eu não tenho ideia de como vai ser, mas sei que vou aprender a ser avó. E essa está sendo uma expectativa muito legal.

Sempre gostei muito de trabalhos manuais. Sempre fiz tricô, crochê, pinturas bordados, faço coisas que uso no estúdio com os bebês, mas agora que vou ter uma netinha, comecei a fazer meus artesanatos pra ela. É muito gostoso. Neste momento estou fazendo os enfeites do quarto dela. É uma coisa que faço  em momentos gostosos porque quero que esse objeto leve uma energia positiva pra ela. Acabei semana passada o enfeite da porta da maternidade e as lembrancinhas e estou curtindo muito isso.

Acho que,  além de ser avó, esse processo todo da gravidez da Gabi tá fazendo muito bem pra mim, porque parece que eu ganhei uma filha nova. O despertar da maternidade passou a fazê-la me enxergar e enxergar a relação comigo de outra maneira. Vejo que ela tá valorizando mais minha presença, minha experiência, de uma maneira mais carinhosa. Ela sempre foi muito próxima, mas agora está mais paciente, com mais cuidados com a mãe. Acho que é isso mesmo: a gente só entende o amor de mãe quando tem um filho e ela tá vivendo esse momento.

Junto com a netinha, estou ganhando uma filha mais responsável, que agora é mãe e que está disposta e aberta a me ter presente e participante na vida dela com a Betina. Eu vejo no meu dia a dia no estúdio mães que acabaram de ter bebê e não são todas que dão espaço para a avó nesse momento da vida. Muitas não querem a interferência, a proximidade com mãe ou sogra. Mas também tem as que que querem, levam junto na hora do ensaio... Acho isso muito legal, uma vivência importante para todos os envolvidos. 

Neste processo de aprender a ser avó, eu sei que tenho experiência com bebês, mas eu tenho que saber que esse é o momento dela descobrir as coisas do jeito dela. Ela mesma precisa aprender e validar as coisas e a gente tem que respeitar o processo de aprendizado e vivência deles, mesmo achando que não vai dar certo. E, às vezes, a gente se surpreende, porque o que não dá certo pra um, pode dar certo pra outro e assim a gente aprende que existe um novo modo de fazer que também é legal.
 
Como mãe da mãe Gabriela, sinto que estamos crescendo juntas e construindo uma relação totalmente nova, mais próxima, de amizade, companheirismo, essa coisa mútua de saber como está se sentindo, como eu me sentia quando era ela que tava na minha barriga... E isso tá sendo muito bom.
 
Essa coisa de ver a Gabi grávida nessa fase da vida, me faz reviver o que eu vivi,  que pra mim foi ontem. A minha caçula tá com 15 anos. Então, me faz enxergar a minha vida de outro ângulo e me dar conta de que está passando muito rápido. O dia que fiquei mais emocionada até hoje, com relação a essa gravidez, foi o dia em que fui no médico ver o ultrassom, ouvir o coração batendo... O médico dela é o mesmo ginecologista meu, que fez meus quatro partos e, quando o exame acabou, ele sentou com ela e começou a explicar tudo. Ali  parece que eu mergulhei no túnel do tempo e me vi 20 e poucos anos atrás, ouvindo aquelas mesmas explicações com ela na barriga. Agora eu tava ali, vendo ela vivendo isso com a filha dela na barriga! Mês passado, ela me chamou pra visitar a maternidade que eu já conhecia porque foi lá que eu tive os meus filhos. Eu chorei da hora que cheguei até a hora que fui embora. Outro dia mesmo era eu que tava indo na maternidade para ter meu filhos.

Fico muito realizada  em ver a Gabi tão encantada, cuidando dela mesma pela importância que dá à bebe. Isso me emociona demais, porque a gente passa um tempo pensado: será que estou fazendo a coisa certa? Educando bem meus filhos? E aí, eu vejo a Gabi se transformando numa mãe tão bacana, tão cuidadosa e penso: pelo menos alguma coisa direito eu fiz. 

E enquanto a Betina não chega fico admirando essa maravilha da tecnologia que é o ultrassom 3D e olhando para a carinha linda dela ainda dentro da barriga da minha filha!

Para todos os vovôs e vovós que já nasceram, estão nascendo como eu ou ainda vão nascer,  meu abraço forte e a gratidão de todos os netinhos do mundo.

Um abraço,
Simone Silvério


Comments

No comments posted.
Loading...