Simone Silvério Fotografia | Blog

Ensaio para a Band e a história de Eliz e sua mãe superpoderosa

August 16, 2018  •  3 Comments

Gente, como vocês podem imaginar minha vida está deliciosamente atarefada, me dividindo entre o trabalho e a doce tarefa de ser vó da Betina e, algumas vezes, misturando essas duas coisas, como no ensaio newborn que está ficando a coisa mais linda desse mundo (ainda vai rolar a continuação do ensaio na segunda-feira) e que vou mostrar pra vocês com detalhes no post da próxima semana.

Mas hoje eu quero dar uma pausa nesse meu assunto intenso que é a Betina para convidar todos vocês a assistirem nesta sexta-feira, às 9h50, na Band, o programa Super Poderosas. Estou muito feliz em ter participado desse programa, que traz histórias de mulheres poderosas que inspiram outras mulheres. Vocês vão, como eu, se encantar e se emocionar muito, tenho certeza.

Eles vão contar a história da Cláudia, uma mãe que teve dificuldade de engravidar, teve uma gravidez complicada, a bebê nasceu entre o 6º e 7º mês de gestação, passou cerca de dois meses na UTI e quase não sobreviveu. Hoje, a Eliz tem entre 10 e 11 meses, se desenvolve no seu tempo por conta da prematuridade e é um boneca.

A mãe, faz "mesversário", faz suas produções, monta álbuns de fotografia com scrapbooks... Uma coisa muito linda, do jeitinho dela, com todo carinho do mundo. Eu achei muito legal, uma pessoa que gosta demais da fotografia, que valoriza o significado desse trabalho!  Fui convidada para conhecer essa história e presenteei com muito carinho a Eliz e a Cláudia com um ensaio que a família não teria condições de pagar.

Eles fizeram uma surpresa, foram na casa delas e as trouxeram para nosso estúdio sem saber para onde estavam indo. A mãe não me conhecia, mas conhecia esse trabalho com bebês e ficou super emocionada e muito feliz. Para ela, esse ensaio teve um valor muito grande e eu também me emocionei muito. O ensaio ficou muito lindo! A menininha é linda, parece uma boneca.

 

O que me deixou muito feliz foi ter encontrado uma pessoa que dá importância para a fotografia. Ela está construindo a memória da infância da Eliz, quer  gravar tudo pra mostrar pra filha como ela foi desejada, como ela é querida, é amada, como a mãe tá feliz em ter essa guerreira que foi vitoriosa e traduz isso tudo com um trabalho que ela mesma faz com a fotografia. E ainda consegui inserir a Eliz no centro de uma mandala, que representa o indivíduo com toda sua vida ao seu redor. Um trabalho que venho desenvolvendo há mais de um ano e que me emociona sempre.

Então, ter feito esse ensaio profissional significou muito pra ela e eu fiquei muio feliz em participar disso e proporcionar esse momento. Este programa que vai ao ar nesta sexta conta essa história e um lindo final feliz com a Elis e a Cláudia levando pra casa de presente um álbum impresso com o ensaio completo.

Um presente pra mim poder eternizar essa história linda de amor, força, cuidado, carinho entre mãe e filha.
Espero que vocês curtam também.


Um abraço,
Simone Silvério.

 


Minha homenagem aos Papais

August 07, 2018  •  1 Comment

Enquanto nossa família vive a expectativa da chegada de Betina, os dias vão se passando e já e estamos chegando no Dia dos Pais. Assim como a maternidade, a paternidade sempre foi algo de grande importância na minha vida, e também na minha profissão. Tenho a dádiva de ter meu pai ao meu lado e, por mais que a rotina seja agitada, sempre arrumo um jeito de estarmos juntos, nos encontros, no cuidado, nas idas ao médico... É uma troca que vivemos a vida inteira: cuidando e sendo cuidados. Tê-lo ao meu lado me faz sentir protegida, filha, amada. Aprendo com ele a cada dia, de maneiras que nunca imaginei que aprenderia, e gostaria de poder representar pra ele também pelo menos um pouco de tudo isto que ele significa pra mim. 

Tenho também a presença de um pai muito importante e essencial na minha vida, o pai dos meus filhos, os que eu gerei, os que incorporei e os que busquei no canil. Sim, porque o Jaiel divide comigo todas e cada uma das alegrias e dificuldades que essa missão de cuidar, criar e formar nossos filhos apresenta.

Na minha profissão, como fotógrafa de recém-nascidos e de família, também lanço meu olhar sobre esse amor, sobre essa relação tão forte, que representa um alicerce tão importante nas nossas vidas! Faço questão de registrar o pai que se apropria do seu bebê, muitas vezes pela primeira vez, na frente da minha câmera. Depois de meses convivendo com uma barriga, se sentindo um pouco impotente ou até mesmo excluído da relação entre o bebê e a mãe, finalmente ele está pronto para iniciar sua própria relação com seu filho(a).

Adoro parar para observar e registrar os olhares dos pais e me emocionar com eles. Eles dizem tanto! É um instante em que as emoções se tornam visíveis. Me esforço em tentar captar cada sentimento e eternizar esse momento para que pai e filho lembrem-se sempre desse elo que os mantém unidos, ligados, únicos. 

Havia um tempo em que o pai não precisava nem falar, bastava olhar para o filho e o comportamento mudava imediatamente. Tempos diferentes. Hoje, os pais procuram se aproximar mais e entender a maneira como suas crias enxergam as coisas, o mundo, a vida. Mas, o fato é que esse olhar do pai, seja às vezes de reprovação, aprovação, compreensão, admiração, ternura, é essencial pra gente crescer, pra ser gente, pra seguir nosso caminho de um jeito mais feliz. 

Espero ter por muito tempo o presente de ter o olhar do meu pai sobre mim e poder captar, em todos os pais, essa energia que nos conecta ao divino, a tudo que é essencial na vida. A todos esses papai e, em especial ao meu pai e aos pais dos meus filhos, meu obrigado! 

Um abraço,
Simone Silvério


A doce espera pelo tempo dos bebês

August 01, 2018  •  1 Comment

 

Não há nada nem ninguém no mundo que nos ensine mais a saber esperar que os bebês. Muitas vezes, a gravidez acontece sem a gente esperar mas, bastou o resultado do teste dar positivo que a luzinha da espera se ascende dentro da gente. E nasce aquela certeza de que, no fundo, a gente sempre esperou por esse momento: o filho é desejado desde sempre, desde quando a gente nem sabia disso. Meus quatro filhos foram desejados mais que tudo, cada um a sua maneira, no seu tempo. Depois de esperar os nove meses, aguardei ansiosa e atenta o primeiro sorriso, a primeira vez que falaram "mama", as primeiras passadas, o primeiro dentinho,  esperei cuidadosa as febres cederem, a conquista da alfabetização, os primeiros namoros, descobertas, decepções, alegrias, conquistas, crescimentos... E me sinto sempre assim: pronta para acompanhar toda fase, buscando paciência, serenidade, sabedoria só para ajudá-los no que der e vier.

Meus 4 bebês...

Aqui em cima meus 4 bebês...

 

Agora estou vivendo tudo novamente, de um jeito diferente e muito especial. Estamos, desde o final de semana, aguardando a chegada de Betina, minha netinha. Uma doce espera, marcada por muita expectativa, com a diferença de que agora também vivo simultaneamente os papéis de avó e de mãe, também com o amparo e cuidado com Gabi, minha filha. E a vontade imensa de ver seu rostinho, carregá-la nos braços, recebê-la nas nossas vidas. Uma espera gratificante porque sabemos que é pra sempre! 

 

Enquanto a Betina não chega, sigo preparando tudo. Depois de tricotar a decoração do quarto, da maternidade, as lembrancinhas, estou preparando o ensaio no meu estúdio, lógico! Já fiz bonequinha, raposinha, filtros dos sonhos, lavandas e estou fazendo eu mesma cada detalhe para cinco ou seis produções diferentes. Um exercício que faço com cada criança que recebo e que faz parte dessa arte de esperar com afeto, pensado e preparando cada detalhe do cenário, da decoração, dos adereços. Inclusive o molde da barriga em gesso que fizemos às pressas quando o médico disse que já estava com dilatação, e que a minha amiga e assistente Rafaela Schmidt registrou com muito carinho. Já imagino a emoção de colocar a Betina de volta na "barriga" da Gabi!!!

Um aprendizado que sempre utilizei e que vou acrescentar ainda mais na minha profissão. E os recém-nascidos, bebês e crianças que fotografo também me ensinam muito sobre essa arte de esperar. É mágico ver a vida se mostrando aos poucos, sem pressa, num calendário divino que sabe exatamente o momento certo para tudo acontecer. Isso é um aprendizado para a vida. Entender o tempo de cada fase da criança é se exercitar para respeitar também cada momento da trajetória de todas as pessoas.

 

É completamente diferente fotografar um recém-nascido, um bebê de três meses e um de seis meses. Com o newborn, entendemos suas prioridades, sua hora de mamar, do colinho, do soninho e, espectadores desse despertar da vida, aproveitamos os cochilos mais fofos do mundo com todo cuidado, eternizando esse instante lindo que passa tão rápido... Cada bebê é um indivíduo e tem seu próprio desenvolvimento mas, com cerca de três meses o bebê geralmente começa a ficar mais firme, com seis meses ele geralmente senta com apoio, fica de bruços, com 9 começa a querer engatinhar. Então pra cada fase eu me adapto a um tipo de ensaio, com diferentes poses e cuidados. Tem a fase que eles começam a sorrir, a reconhecer (e estranhar) pessoas, quando começa a olhar para os objetos. Para cada uma dessas épocas, utilizamos técnicas diferentes e os resultados são sempre lindos! Entender cada fase é essencial.

 

Sugiro às mães registrar esses períodos de troca de fases, pois é justamente nesses momentos que se pode notar transformações mais significativas nas crianças. Proponho ensaios aos três, seis, nove e doze meses ou então quatro, oito e doze meses. É claro que o bebê muda todos os dias mas, se você fizer um ensaio mensal, pode ficar meio repetitivo.

Em todos os casos, a base dessa construção é o respeito, iniciar um bom relacionamento com o bebê e com os pais. Tranquilidade, um ambiente preparado especialmente para recebê-los. Os bebês são muito sensíveis, se você está mal-humorada, agitada, nervosa ou irritada, ele não vai com você. O mais importante é ter jeito, paciência, entender que a foto não vai sair na hora que você quer, a foto vai sair na hora que o bebê estiver tranquilo. Um ensaio de bebês dura até quatro horas, às vezes, porque o bebê fica cansado e precisa dormir, mamar... O segredo é amar o que faz e conhecer esse universo dos bebês, estar envolvida. E, obviamente, tem que ser verdadeiro. Se não for verdadeiro, não sai. 

E é assim, da mesma forma, com essa verdade, esse cuidado, esse amor, que espero Betina pra me ensinar ainda mais.

 

Um abraço,

Simone Silvério.


Dia dos Avós

July 26, 2018  •  Leave a Comment

Gente, esta semana o blog está sendo publicado na quinta-feira, quando estou comemorando meu primeiro Dia dos Avós. Quero dividir com vocês esse presente na minha vida, porque, como diz o poema "A Arte de Ser Avó", de Rachel de Queiroz, "netos são como heranças: você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu. É, como dizem os ingleses, um ato de Deus". É exatamente assim, como me sinto: recebendo um lindo presente dos céus e estou muito grata por isso.


As avós dos meus filhos têm uma importância muito grande na minha vida: tive uma sogra que eu amava e faleceu, tenho a minha sogra que amo (mãe do Jaiel) e a minha própria mãe e vivi muito de perto esse relacionamento delas e também dos respectivos avôs com meus filhos. Mas o papel de avó é uma coisa completamente inédita na minha vida. É tanto sentimento misturado: ansiedade, amor, ternura, expectativa, gratidão... e  uma imensa vontade de ser uma pessoa especial para Betina, minha netinha, numa jornada muito diferente de ser mãe. Não tem a urgência das tarefas de criar e educar mas tem um espaço reservado para a cumplicidade, para a compreensão, para o colo, para o afago, para a ternura.

Sei que é uma frase "meio lugar comum", que todo mudo fala mas para mim significou muito. Quando nasceu Gustavo, meu primeiro filho, junto nasceu a Simone mãe. Foi ali que aprendi a ser mãe. Agora é mais ou menos isso outra vez. Junto com a Betina nasce uma avó em mim, que eu não tenho ideia de como vai ser, mas sei que vou aprender a ser avó. E essa está sendo uma expectativa muito legal.

Sempre gostei muito de trabalhos manuais. Sempre fiz tricô, crochê, pinturas bordados, faço coisas que uso no estúdio com os bebês, mas agora que vou ter uma netinha, comecei a fazer meus artesanatos pra ela. É muito gostoso. Neste momento estou fazendo os enfeites do quarto dela. É uma coisa que faço  em momentos gostosos porque quero que esse objeto leve uma energia positiva pra ela. Acabei semana passada o enfeite da porta da maternidade e as lembrancinhas e estou curtindo muito isso.

Acho que,  além de ser avó, esse processo todo da gravidez da Gabi tá fazendo muito bem pra mim, porque parece que eu ganhei uma filha nova. O despertar da maternidade passou a fazê-la me enxergar e enxergar a relação comigo de outra maneira. Vejo que ela tá valorizando mais minha presença, minha experiência, de uma maneira mais carinhosa. Ela sempre foi muito próxima, mas agora está mais paciente, com mais cuidados com a mãe. Acho que é isso mesmo: a gente só entende o amor de mãe quando tem um filho e ela tá vivendo esse momento.

Junto com a netinha, estou ganhando uma filha mais responsável, que agora é mãe e que está disposta e aberta a me ter presente e participante na vida dela com a Betina. Eu vejo no meu dia a dia no estúdio mães que acabaram de ter bebê e não são todas que dão espaço para a avó nesse momento da vida. Muitas não querem a interferência, a proximidade com mãe ou sogra. Mas também tem as que que querem, levam junto na hora do ensaio... Acho isso muito legal, uma vivência importante para todos os envolvidos. 

Neste processo de aprender a ser avó, eu sei que tenho experiência com bebês, mas eu tenho que saber que esse é o momento dela descobrir as coisas do jeito dela. Ela mesma precisa aprender e validar as coisas e a gente tem que respeitar o processo de aprendizado e vivência deles, mesmo achando que não vai dar certo. E, às vezes, a gente se surpreende, porque o que não dá certo pra um, pode dar certo pra outro e assim a gente aprende que existe um novo modo de fazer que também é legal.
 
Como mãe da mãe Gabriela, sinto que estamos crescendo juntas e construindo uma relação totalmente nova, mais próxima, de amizade, companheirismo, essa coisa mútua de saber como está se sentindo, como eu me sentia quando era ela que tava na minha barriga... E isso tá sendo muito bom.
 
Essa coisa de ver a Gabi grávida nessa fase da vida, me faz reviver o que eu vivi,  que pra mim foi ontem. A minha caçula tá com 15 anos. Então, me faz enxergar a minha vida de outro ângulo e me dar conta de que está passando muito rápido. O dia que fiquei mais emocionada até hoje, com relação a essa gravidez, foi o dia em que fui no médico ver o ultrassom, ouvir o coração batendo... O médico dela é o mesmo ginecologista meu, que fez meus quatro partos e, quando o exame acabou, ele sentou com ela e começou a explicar tudo. Ali  parece que eu mergulhei no túnel do tempo e me vi 20 e poucos anos atrás, ouvindo aquelas mesmas explicações com ela na barriga. Agora eu tava ali, vendo ela vivendo isso com a filha dela na barriga! Mês passado, ela me chamou pra visitar a maternidade que eu já conhecia porque foi lá que eu tive os meus filhos. Eu chorei da hora que cheguei até a hora que fui embora. Outro dia mesmo era eu que tava indo na maternidade para ter meu filhos.

Fico muito realizada  em ver a Gabi tão encantada, cuidando dela mesma pela importância que dá à bebe. Isso me emociona demais, porque a gente passa um tempo pensado: será que estou fazendo a coisa certa? Educando bem meus filhos? E aí, eu vejo a Gabi se transformando numa mãe tão bacana, tão cuidadosa e penso: pelo menos alguma coisa direito eu fiz. 

E enquanto a Betina não chega fico admirando essa maravilha da tecnologia que é o ultrassom 3D e olhando para a carinha linda dela ainda dentro da barriga da minha filha!

Para todos os vovôs e vovós que já nasceram, estão nascendo como eu ou ainda vão nascer,  meu abraço forte e a gratidão de todos os netinhos do mundo.

Um abraço,
Simone Silvério


Meu ensaio nos campos floridos

July 18, 2018  •  3 Comments

A importância da empatia e de experimentar o outro lado da câmera

Gente, hoje eu gostaria de falar com vocês sobre um sentimento que tem me feito refletir muito ultimamente: o da empatia. A capacidade que temos de nos colocar no lugar de outra pessoa, buscando agir ou pensar da forma como ela pensaria ou agiria nas mesmas circunstâncias. Coisa tão importante em todas relações, não é mesmo? Cada vez que a gente se coloca no lugar do outro, imagina como ele se sente, a gente repensa nossas ações, o modo como falamos e até a ideia que temos sobre aquela pessoa. Um gesto capaz de fazer muito pelo outro e por nós mesmos, que crescemos com esse aprendizado.

Acho que na vida, na nossa família, com nossos amigos, com nosso parceiro, com nossos clientes, também devemos desenvolver essa capacidade de empatia. E, nesta viagem que fizemos recentemente ao Sul da França, eu resolvi fazer mais uma experiência que me levasse a esta sensação de me colocar no lugar do outro. Combinamos que o Jaiel, meu marido, que como vocês sabem também é fotógrafo, fizesse um ensaio nos campos de lavanda, me tendo como sua modelo.
Isso mesmo! Vivi uma sessão fotográfica na pele de uma cliente. Reservamos o último dia da nossa viagem para esta experiência. Estava tudo programado: horário, o local, levei vários vestidos diferentes, chapéus. Realmente me dei ao luxo de abusar deste momento diva, rs. E, sabe? Achei super importante ser fotografada, passar por esta experiência para entender como se sentem as pessoas que eu fotografo, como é estar na frente das câmeras. Um exercício que recomendo a todo fotógrafo.

O psicólogo norte americano Carl Rogers, que desenvolveu a abordagem centrada na pessoa, diz que "ser empático é ver o mundo com os olhos do outro e não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele". Acho que essa frase fala muito desse sentimento e me toca especialmente na minha missão de ser uma fotógrafa cada vez mais empática com as pessoas que me escolhem para fotografá-las. Porque nesse momento existe mesmo uma troca do nosso olhar com o olhar do outro, um diálogo, uma relação de confiança, de proximidade, uma exposição de si mesmo. Quantas vezes enxergamos na pessoa algo que ela não via há algum tempo, que estava adormecido? Muitas vezes, precisamos lançar sobre nós uma olhar mais generoso, enxergar nossa beleza, quem somos de verdade e o fotógrafo que se oferece para ver através do olhar do outro consegue captar essa essência, essa mensagem que o outro diz, muitas vezes sem falar uma palavra. 

Tem dois aspectos de você se propor a  fazer um ensaio pessoal, de beleza como esse. Primeiro tem uma  coisa que mexe muito com a nossa auto estima, que é muito legal se permitir ser vista por outros olhos. Tudo bem, eu sabia o que o Jaiel tava fazendo, como ia ser o resultado da luz no meu cabelo, tinha ideia de como seria a foto, mas não tinha a menor noção de como eu iria ficar na foto. 

O segundo aspecto é que num lugar aberto, público, a gente fica fazendo poses, caras e bocas e fica se sentido insegura. As pessoas passam e você pensa: "ai, meu Deus, estou aqui toda me achando, fazendo pose de diva"... Vem o medo de fazer papel de ridícula, mas aí o fotografo te elogia, te incentiva te dá a confiança que você precisa. O Jaiel fazia isso de vez em quando, ele me fazia saber que tava ficando bacana o resultado. Ele faz uma foto, olha na câmera e fala : "uau! Tá lindo! Tá incrível! E ai você vai acreditando nele, você vai achando que você tá fazendo bacana, q você tá fazendo bonito.

Foi uma experiência muito gostosa, foi muito bom pra minha auto estima. Eu sempre sou muito crítica comigo mesma, muito exigente. Sempre acho que tô gorda, com rugas,  com celulite, com isso, com aquilo... Nunca acho que tô bem pra fazer um ensaio. Aí eu fiz esse e o fato é que eu gostei muito mesmo do resultado. Eu olho as fotos e falo:  que lindo! Tudo bem que foi num lugar incrível mas, independente disso, eu gostei de mim naquelas fotos e isso tá me fazendo muito bem. Foi muito bom pra mim. 

Mas a gente começa inibida e aí, conforme o ensaio vai rolando, a gente vai se soltando, se libertando, fazendo os movimentos, tudo vai ficando mais natural, mais gostoso. Às vezes, até o ensaio caminha na direção do sensual. A gente fica com vontade de abrir mais, de mostrar mais um pouco mais, de insinuar. No estúdio não chamamos de ensaio sensual. É o ensaio pessoal e se a sensualidade faz parte dessa pessoa, vai aparecer no ensaio também e o gostoso da dinâmica do ensaio é que ele vai escalando naturalmente de acordo com o ritmo que a pessoa vai ficando à vontade. 

Pra mim, foi muito legal porque eu pude vivenciar isso e cheguei ao final, mesmo lá nos campos de lavanda, fazendo uma coisa mais sensual e adorei o resultado. Tô super feliz de ter feito, acho que a gente tem que fazer isso sempre e vou fazer mais vezes, inclusive. Recomendo a todos vocês. Espero que gostem tanto quanto eu.

Um abraço,
Simone Silvério.