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Feliz dia dos namorados todo dia

June 12, 2018  •  1 Comment

Nesta terça-feira, dia de nossa conversa semanal aqui no blog, é o Dia dos Namorados. Meio inevitável falar do assunto mas, de um ângulo diferente: da nossa maneira de viver e celebrar tudo isso. Eu e Jaiel nunca tivemos uma data, a gente nunca foi muito de comemorar datas, não temos uma data de início de namoro. Pra falar a verdade, a gente não tem nem uma data de casamento. A gente se juntou primeiro, o que pra nós era um casamento, ele me deu uma aliança e tudo. Vivemos juntos, criamos filhos, dividimos conta em banco desde o primeiro dia. Durante três anos fizemos tudo isso sem sermos efetivamente casados no papel e, depois, a gente fez uma cerimônia de casamento. Então, pra nós nenhuma das duas datas é exatamente significativa. A primeira é quando ele veio morar comigo e a segunda, foi três anos depois, e a gente achava que já não nos representava. Também nunca tivemos o hábito de comemorar o Dia dos Namorados, o que não quer dizer que a gente não seja romântico. Somos sim, mas do nosso jeito. Nosso romantismo a gente expressa de uma maneira diferente, que tá no respeito com os projetos, as ideias um do outro, na maneira que a gente se envolve nos assuntos importantes um do outro, desde as questões de família, os cuidados com os pais, com os filhos... A gente entende que tudo que é importante pra um, é importante para o outro. Se o outro não apoia, não participa de uma coisa que é importante pra você, fica impossível ser feliz. A gente tem esse pacto de cumplicidade, de fazer o possível para que as coisas que importam para o outro dêem certo.
 
Então, pra gente, na verdade, todo dia tem que ser dia dos namorados. Todo dia a gente tem que se olhar e se provar bom o suficiente pra continuar merecedor de estar junto daquela pessoa, de conquistar aquela pessoa. Todo dia é dia de revalidar o que a gente sente um pelo outro, Somos diferentes em alguns aspectos, nos complementamos super bem, mas somos absolutamente iguais nos valores, na maneira como a gente olha a vida, os projetos que fazemos juntos, que a gente sempre reavalia junto, vai acertando, voltando, repactuando o tempo todo. Isso não tem uma data, isso é todo dia, da hora que você acorda até a hora que vc vai dormir. 
 

E isso se espelha também no fato da gente ter conseguido montar o nosso negócio juntos e trabalharmos juntos. Muitos casais se queixam que levam as questões pessoais do relacionamento pra o trabalho e levam trabalho pra casa. Pra nós, isso nunca foi um problema: é uma questão tão simples, tão fácil... Porque foi justamente a coroação do nosso relacionamento. A gente se conheceu trabalhando juntos. Éramos colegas de trabalho, fomos grandes amigos durante alguns anos e depois, essa grande amizade acabou se transformando em mais do que isso. Nós éramos casados na época, então eu me separei do meu marido, ele se separou da esposa e ficamos juntos. Depois disso, cada um foi trabalhar em um lugar e a gente sempre teve o sonho de voltar a trabalhar juntos. Então, pra nós, termos conseguido montar um estúdio e trabalharmos juntos é a concretização de um projeto de vida. Poder fazer as coisas juntos é muito gostoso. A gente valoriza muito cada trabalho, cada viagem que a gente faz. Mesmo quando a gente deita na cama pra dormir e começa a falar de trabalho, não é no sentido de ser workaholic... Nós estamos falando do nosso projeto de vida, do que nos dá prazer, é como e estivéssemos falando de um filho nosso. 
 
Eu acho o que faz com que a gente seja hoje tão apaixonado quanto há 20 e poucos anos atrás, se não mais, é a admiração mútua que a gente tem e cultiva. Cada um se esforça todo dia pra não decepcionar, pra continuar tendo isso, para continuar mantendo a admiração pela pessoa que o outro é, pelo que o outro faz. Respeito é uma coisa que a gente sempre prezou muito. Outro ponto que a gente sempre fez muita questão é a confiança mútua. Não existem ciúmes entre a gente porque a gente parte do princípio de que se estou com ele é porque eu quero e ele também. Não temos obrigação de estarmos juntos. Essa confiança mútua faz com que a vida seja tão leve, tão gostosa ... É a certeza de que a gente pode contar tudo um pro outro, simplesmente porque a gente não tá fazendo nada de errado e tem a certeza que um vai apoiar o outro. 
 

E a fotografia, nossa cúmplice, nossa paixão, claro que tem o poder de captar e eternizar tudo isso que sentimos e vivemos. Pra nós, tem uma coisa que é importante que aparece nas fotos: é o olhar. A gente se olha e nosso olhar nos diz muito um do outro. O "J" sempre conseguiu ler minha alma só de olhar nos meus olhos. Sempre fui absolutamente incapaz de esconder qualquer sentimento dele. Se estou triste, preocupada, ele percebe. Eu sempre falei que preciso do olhar dele porque vejo que ele me olha com admiração, com amor. É um espelho pra mim. Sem esse olhar, eu fico perdida. Me faz bem ter esse olhar dele pra me sentir amada, admirada, respeitada e muitas das nossas fotos esse jeito de se olhar aparece. A gente sempre se preocupa em olhar um para o outro de verdade. Porque muitos casais com 20 e poucos anos, param de olhar um para o outro, se acostumam com a pessoa que tá do lado e param de olhar. Eu hoje não sou a mesma Simone de 20, de 10, de 5 anos atrás. A gente se reinventa sempre. Nós mudamos muito nessas décadas, mudamos de casas várias vezes, de planos, de projetos... Se você para de olhar pra pessoa que está do lado, quando você vê aquela pessoa, ela virou uma estranha. A gente se preocupa em mudar junto e ver em que pessoas estamos nos tornando. Isso faz parte deste projeto de envelhecer juntos, um processo inevitável, porque o tempo passa, mas não precisamos ser vítimas. Podemos mudar de acordo com a fase da vida que estamos vivendo e sermos agentes do nosso amadurecendo. Estamos todo dia amadurecendo juntos.

A risada também é outra marca da gente que a fotografia registra tão bem. A gente se faz rir. Ele me faz rir muito mais que eu, mas eu também procuro ser uma pessoa bem humorada. A gente faz piada de tudo sempre. Claro que tem os momentos sérios, difíceis, mas a gente nunca perde de vista que, daqui a pouquinho, isso vai virar piada e sempre vira. Achamos que é muito importante rir de si mesmo, das coisas do dia-a-dia,  que fazem a vida ser muito mais engraçada. Encontrar uma pessoa que te faz rir e que ri junto com você é muito gostoso, faz a vida ficar mais leve e a gente sempre teve isso.
 

Por tudo que eu falei , não resta a menor dúvida de que eu sou completamente apaixonada por ele, de que eu me sinto ainda namorada dele. A verdade é que tive a grande sorte de me apaixonar pelo meu melhor amigo, e de continuarmos amigos e apaixonados. Porque a gente tem essa coisa de se conquistar, de namorar, de não perder nossa intimidade, nosso momento, de saber que apesar de termos quatro filhos, além dos três cachorros e todo o resto, no fundo, somos nós dois. Estamos criando os filhos para o mundo, cada um vai pro seu lado, viver sua vida e o que vai ficar é o que importa pra nós: é o que a gente tem entre nós.

Tem uma foto marcante pra gente: no primeiro dia que gente saiu juntos oficialmente como namorados, o Jay fez uma foto numa câmera de filme ainda, que até hoje fica no criado mudo dele. Ele faz questão de me dizer que é a foto que ele olha todo dia antes de dormir, pra lembrar e agradecer por termos nos encontrado, por termos vivido mais um dia juntos e podermos dormir juntos mais uma vez. Ele diz que a gente, em algum lugar, combinou de vir pra cá e ficarmos juntos, mas a gente ia experimentar viver, fazer um monte de coisas e, quando estivesse pronto, a gente ia se achar. Demorou quase 30 anos, mas foi e é fantástico termos nos encontrado aqui embaixo e continuarmos juntos por muito tempo. A gente tem a certeza de que tem uma missão juntos. Pra gente, é uma delícia ter um monte de gente à nossa volta, que a gente curte, gosta, ajuda. Nosso objetivo em comum é deixar nas pessoas que cruzam nosso caminho uma marca positiva, algo que elas possam se lembrar com um sorriso nos lábios. A gente segue a vida assim, ajudando um ao outro e ajudando aos outros. Eu acho que aí tá a fonte da felicidade mesmo.

Um feliz Dia dos Namorados todos os dias pra você!

 

Um abraço,
Simone Silvério


A minha participação no projeto Retratos de Mãe

June 05, 2018  •  Leave a Comment

Hoje venho fazer um convite para meus amigos de São Paulo. Na próxima terça-feira, dia 12 de junho, estarei recebendo, na minha galeria, a Studio Trend, um trabalho lindo do qual me orgulho muito em fazer parte. É a Exposição Retratos de Mãe, da fotógrafa e amiga Andréa Leal, com curadoria minha. No dia 12 vai ser a vernissage com um coquetel para a qual estão todos os meus leitores convidados e, de 13 de junho a 13 de julho, a mostra gratuita estará aberta de segunda a sexta, das 9h às 18h.  Uma  exposição belíssima que retrata as personagens reais dos artigos da jornalista pernambucana Sílvia Bessa, que também tive a alegria de conhecer. Super premiada, Sílvia que antes escrevia sobre política e dramas sociais, voltou seu olhar para mães e mulheres depois da gestação da primeira filha, nascida com uma síndrome rara e que viveu 111 dias. São 18 mulheres com histórias de vida marcantes, que a Andréa fotografou lindamente.

Tive a honra de participar de todo o processo. Foram dois dias no Recife de intenso trabalho e emoção mais forte ainda. Ouvimos, uma após uma, as histórias de cada uma delas e você, na exposição, também vai poder reviver esses momentos e se emocionar junto com a gente. Um aplicativo de realidade aumentada baixado no celular vai exibir, diante de cada retrato, um vídeo da própria personagem contando sua trajetória, como fez pra gente, no estúdio da Andréa. Tenho certeza de que você vai amar e, como eu, vai crescer muito com todas elas.

Me emocionei demais ouvindo todas as histórias, me conectei, me relacionei com muitas delas. Claro que, na maior parte das vezes, numa escala muito menor. Mas, só de lembrar começo a chorar de novo. Porque as pessoas passam por coisas às vezes tão difíceis na vida que a gente, olhando de longe, pensa: "Nossa, eu jamais conseguiria..." Mas, provavelmente, elas também falariam isso antes e na hora que acontece com você, não sei se Deus (eu ouvi muito a palavra Deus lá), mas você encontra a força necessária para passar pelas coisas e fazer o melhor delas. Eu acho que isso foi muito forte em tudo o que a gente viu ali. As pessoas tirando o melhor das situações adversas que a vida colocou, escolhendo o caminho pra suas vidas. 

Isso me toca muito. Eu gosto muito disso, eu gosto de ouvir, de me colocar no lugar da pessoa... Eu gostei demais de acompanhar o processo porque, ao ouvir as histórias, a personalidade da pessoa, conversando, a Andrea se aproveitou disso para buscar a pose, o momento, o olhar, a expressão que dissesse alguma coisa relativa ao que ela estava ouvindo, que traduzisse aquele sentimento. Mas, para conseguir essa uma foto, ela tirou várias e várias fotos da mesma pessoa. Só que, na hora que eu fui olhar o conjunto da sessão daquela pessoa, eu sabia exatamente o que procurar, porque eu tinha ouvido a  mesma coisa, eu sabia o que ela estava buscando quando clicava. 
 

Então, pra mim, foi muito gostoso. Porque a gente acabava uma sessão, eu pegava aquele material e ia direitinho na foto. Eu sabia onde ela tinha conseguido obter aquele olhar. Foi um trabalho muito em conjunto com a Andréa, de traduzir isso na escolha das fotos. Pra mim, foi quase que uma sequência daquilo que a gente estava fazendo no estúdio. Claro que levei também para ali o meu olhar mais técnico da fotografia, do foco ideal, do enquadramento ideal. Eu fiz algumas intervenções, porque às vezes a foto que tinha a melhor expressão e o momento ideal não estava tecnicamente melhor. Eu levei a técnica em consideração mas, no final, o que manda é a emoção, é o momento, é a expressão da pessoa.

Eu levei em conta também a unidade do conjunto da exposição. Porque cada foto tinha que se relacionar diretamente com a história daquela personagem, com a vida daquela pessoa. As histórias eram distintas, assuntos muitos diversos e os retratos que contam histórias tão distintas, ao mesmo tempo, precisavam de uma coesão, de uma ideia de conjunto, para serem expostos como uma obra única. Então, eu também me preocupei qual retrato seria colorido e qual seria em preto e branco, não só do ponto de vista estético, mas também do que aquilo representava com cada emoção vivida ali. Pensei muito em quantas fotografias seriam horizontais, quantas verticais, se deveria colocar na exposição as fotos em que elas aparecem sozinhas ou com outros personagens que faziam parte da história...


Não foi um trabalho exatamente de curadoria de arte, no sentido estrito da palavra, no que isso representa no mercado de arte: de fazer um recorte no trabalho do artista. Eu acho que foi mais a construção de uma exposição, mas foi um trabalho de construção juntas. Eu estava lá, vivendo todo o processo junto, vendo o que a Andréa estava buscando e acho que ajudei a Andréa a levar para a exposição esse conjunto da obra, que ficou incrível!
 

E é claro, que tendo uma câmera por perto não consigo deixar de fazer meus próprios cliques, só porque sou muito apaixonada por isso...

Um convite à emoção, ao encontro com nossas vivências através das histórias de mulheres marcantes, que souberam dar novo significado a suas trajetórias de vida com muita coragem, ternura e amor. Um convite que eu faço a você. Espero seu olhar, sua emoção, sua visita.

Exposição Retratos de Mãe
De 13 de junho a 13 de julho de 2018

Vernissage dia 12/06 das 18:00 às 23:00h


Galeria Studio Trend, Rua Costa Carvalho, 213, bairro Alto de Pinheiros, São Paulo.


Um abraço, 
Simone Silvério


As paixões tatuadas na pele

May 29, 2018  •  Leave a Comment

"Ter um filho é como fazer uma tatuagem na testa". Essa frase, tantas vezes ouvida e de autoria desconhecida, traz uma verdade incontestável. Tatuei cada um dos meus quatro filhos na minha vida e, certamente, quando me olho no espelho vejo cada um deles. Eles estão em mim e isso é para sempre, sem volta, sem "mas". Pra mim, as tatuagens artísticas que fiz na pele também refletem o amor por minhas escolhas, pelo que sou, pela minha arte, minhas crenças, minha profissão. 


Minha primeira tatuagem marcou um momento de mudança na minha vida e serviu pra me mostrar o quanto sou capaz de mudar. Passei a minha vida inteira detestando tatuagem. Dizia que jamais faria, que jamais deixaria um filho meu fazer. Eu era formada em administração de empresas com MBA pela FIA-USP, trabalhava em banco, atuava há 15 anos no mercado financeiro internacional tinha um perfil mais de executiva, tudo muito certinho. Depois que tive minha terceira filha, a Alê, entrei na faculdade de arquitetura, fui retomar as minhas paixões, quis fazer USP, fui para a FAU, tive a quarta filha, comecei a mexer com essa coisa de arte mesmo. Pra mim foi uma fase de renovação total:  ter tido filhos pequenos de novo quase com 40 anos, voltado pra faculdade, ter mudado de profissão radicalmente, começado a conviver mais com esse universo das artes, da fotografia. Eu levava as meninas na praia e  tinha um rapaz que fazia tatuagem de henna. Ele fazia uns desenhos super bonitos e cada semana eu pedia pra ele fazer um desenho diferente e ficava me acostumando. Quando fiz 40 anos, eu já estava em outra. Já estava adorando tatuagem e falei: vou fazer uma tatuagem! Sempre gostei desses desenhos de arabescos e fiz um desenho em arabesco preto, que não chega a ser tribal, é mais curvo e mais redondo. Fiz na base das costas. Eu gostei tanto! Mas ela ficou num lugar que praticamente nunca vejo e resolvi fazer outra num local que eu visse mais. E comecei a cultivar a ideia de fazer outra tatuagem.

Essa primeira tatuagem era só um desenho, um traço que achava bonito e não tinha nenhum significado. Eu queria algo com significado pra mim. Fiquei anos escolhendo. Eu queria que fosse "A" tatuagem da vida, que representasse meus filhos meu marido. Fiz um milhão de rascunhos, achei a Tati, uma tatuadora em Santos, foi super difícil, marquei, desmarquei. Aí minha filha foi fazer uma tatuagem e me chamou para ir com ela. Não era ninguém que eu tivesse escolhido, mas na hora me bateu uma vontade de fazer e eu pensei: vou fazer uma câmera pequeninha no pulso, num lugar que aparece quando estou fotografando. E, depois de pensar tanto, eu fiz de bate pronto. Essa tatuagem tem uns cinco anos, talvez. Eu adorei porque tinha tudo a  ver com comigo, com minha profissão. Eu me redescobri na fotografia e isso mudou toda a minha vida. Esse reencontro com meus dons, com a realização pessoal e profissional, foi marcada por esta tatuagem. 

Mas eu continuei querendo muito fazer uma tatuagem que representasse meu filhos, os grandes amores da minha vida. Ai foram mais quatro anos, pensado, desenhando, tento ideias e para eu consegui marcar com a tal tatuadora de Santos. Eu queria um filtro dos sonhos e que no aro do filtro tivesse as letras dos nomes dos meus quatro filhos e depois, pendurados no filtro dos sonhos, eu queria a minhas paixões: o cachorro, o símbolo da paz, a câmera. Essa tatuadora foi incrível! Cheguei lá e ela tinha feito esse desenho. A teia do filtros dos sonhos forma uma árvore da vida, tem os seis coraçõezinhos, os nomes dos meus filhos... Eu amei e fiz a minha tatuagem e isso foi no Dia das Mães do no passado.

Quando estava procurando um logotipo para o meu negócio de fotografia de recém nascidos, eu não queria referencia tão óbvia. Uma amiga sugeriu o filtro dos sonhos porque tinha a minha cara. Ela sabia que eu gostava, eu tinha um que pendurava na orelha... E fui pesquisar. Os primeiros filtros dos sonhos surgiram na tribo dos Ojibwa, que habitavam a região dos grandes lagos da América do Norte. Eles acreditavam que uma das principais missões das pessoas durante a vida era a de decifrar os sonhos. Para eles, os sonhos traziam mensagens importantes sobre o funcionamento da natureza, do universo e da vida. Os Ojibwa acreditavam que, durante a noite, o ar se enchia de sonhos e energias, boas e más. Apenas os sonhos bons, que traziam mensagens importantes, conseguiriam passar pela teia tecida no círculo instalado no centro do filtro. Já todas as energias negativas ficariam presas nos fios da teia. Mas a explicação que mais me chamou a atenção é que quando nascia um bebê a mulher mais velha da tribo tecia um filtro dos sonhos para colocar em cima do berço para proteger o sono do bebê, mandar energias boas, para ele ter bons sonhos. Quando li essa coisa e isso bateu em mim. É isso que eu faço! Eu fotografo, mas pra isso eu preciso fazer o bebê dormir! E ai fizemos o logotipo que é o mesmo meu, do meu marido Jaiel Prado, do nosso estúdio e agora da nossa galeria. A gente usa esse logotipo pra tudo. Mudamos apenas os nomes. Esse filtro tem a rede com o olho grego no meio, como uma referência ao olhar do fotógrafo, e pendurado tem um filtro menor com o desenho do diafragma, que é e abertura da lente da câmera.  Ainda vou tatuar esse desenho tão cheio de significado em mim!


Na semana passada, foi a hora de renovar uma de minhas tattoos. O tempo passa e com ele, minha tatuagem da câmera foi ficando menos nítida, mas o colorido que a fotografia trouxe à minha vida está mais forte que nunca. Essa tatuagem da câmera foi feita de impulso. Não tinha escolhido um desenho especial nem um tatuador que tivesse um traço fino que eu gosto, nada disso. E já fazia um tempo que estava me incomodando: o traço que já era não era muito fino, se espalhou na pele, uma parte pontilhada se juntou e parecia fora de foco. Encontrei uma amiga que me indicou a Carla. Fui saber sobre ela e a primeira coisa que vi é que ela também fazia reforma. Ela fez exatamente o eu queria: dar nitidez de novo ao desenho. E eu fiquei pensado que queria incluir mais alguma coisa. Ela tinha sugerido flores. Sou apaixonada pela flor de cerejeira, a sakura. Essa flor tem um significado das coisas serem efêmeras, porque tem uma única floração por ano e dura só uma semana. Eu já vi, é lindíssima! A flor de cerejeira traz esse significado da efemeridade da vida, das coisas especiais passarem muito rápido e, junto com a câmera, que eterniza esses momentos, traz esse paradoxo entre o efêmero e o eterno. Ficou linda! Amei ! Me senti renovando em mim mesma essa paixão, esse desejo de que a fotografia faça parte de mim pra sempre e que me torne uma pessoa cada vez melhor, mais feliz, mais criativa, com o olhar ainda mais aguçado para enxergar e fazer os outros enxergarem a importância de viver e reviver os momentos especiais. 

Como todo esse universo se comunica com a fotografia ! Para mim, a fotografia é essa realização de um sonho bom, é essa mensagem boa que levamos para o futuro, eternizando momentos mágicos, cercados de bons fluidos, de amor, de proteção. A relação com a luz também fala muito dessa arte, que filtra e revela o que é belo, o que é forte, o que é marcante. Que o todos esses sentimentos estejam marcados na nossa vida, feito tatuagem. 


Ah! Para o xamanismo, o filtro dos sonhos também serve como uma mandala para inspirar a criatividade, a imaginação e ajudar a transformar todos os sonhos e objetivos em realidade. Por falar nisso, a próxima tatuagem será uma mandala no ombro. Essa fica pra próxima. E eu prometo contar tudinho.


 

Um abraço, 
Simone Silvério

 

Obs. se alguém se interessar pelo trabalho da Carla Galvão (que fez a reforma da câmera) ou pela Tatiana Alves (que fez o filtro dos sonhos) segue aqui o perfil delas no Instagram:
https://www.instagram.com/carlagalvaotattoo

https://www.instagram.com/tatianaalves


Campos de Lavanda - Realizando sonhos

May 22, 2018  •  3 Comments

Vamos realizar sonhos? Ensaios nos campos de lavanda e girassóis da França


Fotografar em meio aos campos de lavanda e girassóis do Sul da França... Lançar meu olhar sobre esta região encantadora, em meio à natureza e cercada de paisagens de tirar o fôlego... Um sonho, não? Para mim sempre foi! Um sonho que irei realizar e que outras pessoas também poderão realizar junto comigo. Eu pensei muito, idealizei nos mínimos detalhes e, agora, esse desejo vai se tornar realidade entre os meses de junho e julho deste ano. No dia 28 de junho eu e o Jaiel viajaremos para a região de Provence e ficaremos até o dia 09 de julho. Uma época escolhida especialmente para extrair o melhor que essa região pode nos oferecer. Para ver e fotografar os campos de lavanda em todo seu esplendor, é preciso estar lá entre meados de junho e meados de julho, quando as flores ficam “maduras” com o calor do sol, e chegam em seu ápice de beleza. Depois, acontece a colheita das flores, que são utilizadas na produção dos famosos cosméticos, como óleo, sabonetes e perfumes.

Estou ansiosa para mergulhar nesse infinito de cores, aromas, texturas e emoção. Primeiro, a emoção do reencontro. Vou rever e fotografar uma família muito linda e querida que acompanho há quase quatro anos, desde a gravidez da primeira filha. Fiz os ensaio de gestante, newborn, de acompanhamento e temáticos de Laurinha e depois de Rafael.

Já nas fotos do acompanhamento da primeira bebê, o tema França veio à tona. A mãe sempre foi apaixonada por Paris e fizemos um ensaio temático maravilhoso: clicamos Laurinha num cenário que incluía a Torre Eiffel, ela usou boininha e adereços que faziam referência às dançarinas de cancan do Moulin Rouge. Uma fofura! A mãe, que cresceu em uma região de vinhedos do Rio Grande do Sul, também quis homenagear os avós e fizemos um ensaio estilo "natureza morta", com a bebê em meio a tachos de cobre, cachos de uva e folhas de parreira. Ficou muito lindo e com um significado especial para a família.

Agora, eles moram no Sul da França, numa região próxima aos campos de lavanda e vamos registrar a família inteira, vivendo hoje este sonho de morar num lugar lindo e desejado por tantos anos. Vai ser muita emoção!

Para as famílias que vivem na região ou estiverem viajando por lá, estamos disponibilizando quatro sessões com duração de uma a duas horas, nos dias 07 e 08 de julho, nos campos de lavanda e girassóis da região de Valensole ou perto da cidade de Aix-en-Provence. Além disso, vamos oferecer também duas sessões nos principais pontos turísticos das cidades de Aix-en-Provence ou Marseille, nesses mesmos dias. As sessões vão custar  R$ 2.500,00 com 36 fotos impressas em um lindo álbum da Viacolor e também digitais. Que tal realizarmos esse sonho juntos? Vai ser um prazer incrível pra mim!

Provence, LavandaProvenceSessão fotográfica com Simone Silverio Jaiel Prado na Provence

Tornar sonhos reais é realmente o grande motivo desta viagem. Eu e meu marido, Jaiel, vamos pôr em prática nosso projeto autoral, de quadros pintados digitalmente a partir de fotografias feitas, tanto com câmera digital, como com câmera de filme médio formato. Uma técnica que estamos estudando há mais de dois anos, com três cursos realizados nos Estados Unidos e workshops com os principais mestres, como Lisa Evans e Jeremy Sutton, da Califórnia; Darrell Chitty, da Louisianna e com os membros da Dead Artists Society, Mary Mortensen, Annell Metsker e Tim McCary, além da pintora Susan Duke. Chegou a hora de colocar todo esse conhecimento em prática e no melhor lugar e na melhor companhia possíveis, como acontece só nos sonhos ! A gente vai à luta e transforma cada detalhe numa linda realidade. Conto com o seu olhar e seus bons fluídos para mais esta jornada, que, em breve, mostrarei aqui.

Um abraço,
Simone Silvério


Unindo paixões e amigos em torno da minha arte

May 15, 2018  •  2 Comments


Hoje venho falar pra vocês dos sentimentos que transbordam em mim neste momento: gratidão, realização, afeto. Fotografar bebês sobre mandalas foi uma forma de unir paixões em torno da minha arte. No lançamento da exposição Mandala Babies, que marcou também a inauguração da minha galeria, a Studio Trend, tive uma perspectiva maior de tudo isto que está acontecendo na minha vida. Foi como se seu estivesse do alto da estrutura em que me mantive suspensa para fotografar as mandalas. Lá de cima, tive a visão da beleza que é o todo.



Nesta sexta-feira passada, tive mais uma visão maravilhosa dessa totalidade e a constatação de que esse projeto uniu minhas paixões como mandalas e recém-nascidos e reuniu também em torno de mim, grandes amigos, colegas que respeito e admiro, pessoas que são alicerce, fonte de inspiração, parceiros incríveis. Estavam todos lá. A todos, sou muito grata.


O reconhecimento do meu trabalho como fotógrafa de família é muito valioso para mim, foi conquistado após anos de dedicação, estudo. Neste trabalho autoral, tão importante por manter esse lado criativo estimulando minha alma de artista, contar com o prestígio de vocês é um combustível, um privilégio. 


Sou imensamente grata a cada um que esteve presente e que ainda irá conferir meu trabalho. Agradeço ao universo a oportunidade de contemplar toda essa beleza, todos esses sonhos concretizados, todo este afeto que está ao meu redor, como uma mandala carregada de bons fluidos, harmonia, proteção e prosperidade.  Deixo um agradecimento às minhas assistentes e amigas Neide, Ana, Mônica e Rafaela, aos meus parceiros ViaColor, Online Quadros, Fêtes, Salton, Lana Bandeira e um agradecimento especial também a Eduardo e Andréa Leal, por sua ideias, sugestões, ajuda e muita energia boa!!! Muito obrigada a todos!

A exposição Mandalas Babies é aberta ao público e segue até o dia 09 de junho. A Galeria Studio Trend fica no bairro Alto de Pinheiros, São Paulo e funciona de segunda a sábado, das 9 h às 18 h.

Um abraço,
Simone Silvério